Conselho extremamente valioso !!!
Sabiam que no ano de 1931 um cientista recebeu o prêmio Nobel por
descobrir a CAUSA PRIMÁRIA DO CÂNCER?
Mas peraí, se a causa foi descoberta, por que ainda "não descobriram a cura??"
Vamos ser informados agora!
Otto Heinrich Warburg (1883-1970).
Prêmio Nobel em 1931 por sua tese "A causa primária e a prevenção do câncer"
Segundo esse cientista, o câncer é a consequência de uma alimentação
antifisiológica e um estilo de vida antifisiológico.
Por que?... porque uma alimentação antifisiológica - dieta baseada em
alimentos acidificantes+ sedentarismo, cria em nosso organismo um
ambiente de ACIDEZ.
A ACIDEZ por sua vez EXPULSA o OXIGÊNIO das células!!!
Ele afirmou: "A falta de oxigênio e a acidez são as duas caras de uma
mesma moeda: quando você tem um,
você tem o outro."
Ou seja, se você tem excesso de acidez, então automaticamente falta
oxigênio em seu organismo!
Outra afirmação interessante: "As substâncias ácidas repelem o
oxigênio; em oposto, as substâncias alcalinas atraem o oxigênio."
Ou seja, um ambiente ácido, sim ou sim, é um ambiente sem oxigênio.
E ele afirmava que: "Privar uma célula de 35% de seu oxigênio durante
48 horas, pode convertê-la em cancerígena."
Ainda segundo Warburg: "Todas as células normais tem como requisito
absoluto o oxigênio, porém as células cancerosas podem viver sem
oxigênio - uma regra sem exceção."
E também: "Os tecidos cancerosos são tecidos ácidos, enquanto que os
saudáveis são tecidos alcalinos."
Em sua obra "O metabolismo dos tumores", Warburg demonstrou que todas
as formas de câncerse caracterizamn por duas condições básicas: a
acidose (acidez do sangue) e a hipoxia (falta de oxigênio). Também
descobriu que as células cancerosas são anaeróbias (não respiram
oxigênio) e NÃO PODEM sobreviver na presença de altos níveis de
oxigênio; em troca, sobrevivem graças a GLICOSE sempre que o ambiente
está livre de oxigênio... Portanto, o câncer não seria nada mais que
um mecanismo de defesa que tem certas células do organismo para
continuar com vida em um ambiente ácido e carente de oxigênio.
Resumindo:
Células sadias vivem em um ambiente alcalino e oxigenado, o qual
permite seu normal funcionamento:
Células cancerosas vivem em um ambiente extremamente ácido e carente
de oxigênio.
IMPORTANTE:
Uma vez finalizado o processo da digestão, os alimentos de acordo com
a qualidade de proteína, hidrato de carbono, gordura, minerais e
vitaminas que fornecem, gerarão uma condição de acidez ou alcalinidade
no organismo. Ou seja, depende unicamente do que você come!
O resultado acidificante ou alcalinizante se mede através de uma
escala chamada PH, cujos valores se encontram em um nível de 0 a 14,
sendo PH 7, um PH neutro.
É importante saber como os alimentos ácidos e alcalinos afetam a
saúde, já que para que as células funcionem de forma correta e
adequada, seu PH deve ser ligeiramente alcalino. Em uma pessoa
saudável,
o PH normal do sangue se encontra entre7,40 e 7,45. Leve em conta que
se o ph sanguíneo caísse abaixo de 7, entraríamos em estado de coma
próximo a morte. Abaixo do nivel NORMAL , o sangue é tido como ÁCIDO.
Então, que temos a ver com tudo isto? Vamos ao que interessa!!
Alimentos que acidifican o organismo:
# Açúcar refinado e todos os seus subprodutos - o pior de tudo: não
tem proteínas, nem gorduras, nem minerais, nem vitaminas, só hidrato
de carbono refinado que pressiona o pancreas. Seu PH é 2,1, ou seja,
altamente acidificante
# Carnes - todas
#Leite de vaca e todos os seus derivados - queijos, requeijão, iogurtes, etc.
# Sal refinado
# Farinha refinada e todos os seus derivados - massas, bolos, biscoitos, etc.
# Produtos de padaria - a maioria contém gordura saturada, margarina,
sal, açúcar e conservantes
# Margarinas
# Refrigerantes
# Cafeína - café, chás pretos, chocolate
# Álcool
# Tabaco
# Remédios, antibióticos
#Qualquer alimento cozido - o cozimento elimina o oxigênio e o
trasforma em ácido- inclusive as verduras cozidas.
#Tudo que contenha conservantes, corantes, aromatizantes,
estabilizantes, etc. Enfim: todos os alimentos enlatados e
industrializados. Constantemente o sangue se encontra
autorregulando-se para não cair em acidez metabólica, desta forma
garantindo o bom funcionamento celular, otimizando o metabolismo. O
organismo DEVERIA obter dos alimentos, as bases (minerais) para
neutralizar a acidez do sangue da metabolização, porém todos os
alimentos já citados, contribuem muito pouco, e em contrapartida,
desmineralizam o organismo (sobretudo os refinados). Há que se levar
em conta que no estilo de vida moderno, esses alimentos são consumidos
pelo menos 3 vezes por dia, os 365 dias do ano!!! Curiosamente, todos
estes alimentos citados, são ANTIFISIOLÓGICOS!!...Nosso organismo não
foi projetado para digerir toda essa porcaria!!!
Alimentos Alcalinizantes
#Todas as verduras cruas (algumas são ácidas ao paladar, porém dentro
do organismo tem reação alcalinizante, outras são levemente
acidificantes porém trazem consigo as bases necessárias para seu
correto equilíbrio); cruas produzem oxigênio, cozidas não.
#Frutas, igualmente as verduras, por exemplo o limão tem um PH " ácido
" próximoa 2.2, porém - SAIBAM - dentro do organismo tem um efeito
altamente alcalinizante (quem sabe o mais poderoso de todos). Não se
deixe enganar ,impressionando-se com seu sabor ácido, ok? As frutas
produzem quantidades saudáveis de oxigênio!
# Sementes: além de todos os seus benefícios, são altamente
alcalinizantes, como por exemplo as amêndoas.
# Cereais integrais: O único cereal integral alcalinizante é o milho,
todos os demais são ligeiramente acidificantes, porém muito
saudáveis!.. Lembre-se que nossa alimentação ideal necessita de uma
porcentagem de acidez (saudável). Todos os cereais devem ser
consumidos cozidos. O milho cozido é muito saboroso e muito saudável!
# Omel é altamente alcalinizante.
# A clorofila das plantas (de qualquer planta) é altamente
alcalinizante (sobretudo a aloe vera, mais conhecida como babosa).
#Á água é importantíssima para a produção de oxigênio. "A desidratação
crônica é o estressante principal do corpo e a raiz da maior parte de
todas as enfermidades degenerativas", afirma o Dr. Feydoon
Batmanghelidj.#O exercício oxigena todo teu organismo, o sedentarismo
o desgasta. Não é preciso dizer mais nada, não é?
O Doutor George w. Crile, de Cleverand, um dos cirurgiões mais
importantes do mundo declara abertamente:
“Todas as mortes ditas imprópriamente como "naturais",não são mais
que o ponto terminal de uma saturação de ácidos no organismo.”
Como dito anteriormente, é totalmente impossível que um câncer
prolifere em uma pessoa que libera seu corpo da acidez, nutrindo-se
com alimentos que produzam reações metabólicas alcalinas e aumentando
o consumo de água pura; e que por sua vez, evita os alimentos que
produzem acidez, e se abstém de elementos tóxicos. Em geral o câncer
não se contrai ( não se " pega " ) nem se herda…o que se herda são os
costumes alimentícios, ambientais e o estilo de vida que produz o
câncer.
Mencken escreveu:
“A luta da vida é contra a retenção de ácido”.
"O envelhecimento, a falta de energia, o stress, as dores de cabeça,
enfermidades do coração, alergias, eczemas, urticária, asma, cálculos
renais e arterioscleroses entre outros, não são nada mais que a
acumulação de ácidos."
O Dr. Theodore A. Baroody disse em seu livro “Alkalize or Die”
(Alcalinizar ou Morrer):
"Na realidade não importa o sem-número de nomes de enfermidades. O que
importa sim é que todas elas provém da mesma causa básica: muito
lixo ácido no corpo!”
O Dr. Robert O. Young disse:
"O excesso de acidificação no organismo é a causa de todas as
enfermidades degenerativas. Quando se rompe o equilíbrio e o organismo
começa a produzir e armazenar mais acidez e lixo tóxico do que pode
eliminar, então se manifestam diversas doenças."
E a quimioterapia?
Não vou entrar em detalhes, somente me limito a enfatizar o óbvio: a
quimioterapia acidifica o organismo a tal extremo, que este recorre às
reservas alcalinas do corpo de forma inmediata para neutralizar tanta
acidez, sacrificando assim bases minerais (Cálcio, Magnésio, Potássio)
depositadas nos ossos, dentes, articulações, unhas e cabelos. É por
esse motivo que se observa semelhante degradação nas pessoas que
recebem este tratamento, e entre tantas outras coisas, se lhes cai a
grande velocidade o cabelo. Para o organismo não significa nada ficar
sem cabelo, porém um PH ácido significaria a morte.
Eis a resposta do começo do email: É necessário dizer que isto não é
divulgado porque a indústria do câncer (leia-se indústria alimentícia
+ indústria farmacêutica) e a quimioterapia são alguns dos negócios
mais multimilionários que existem hoje em dia.
É necessário dizer que a indústria farmacêutica e a indústria
alimentícia são uma só entidade??
Nota: Você se dá conta do que significa isto?
Quanto mais gente doente, mais a indústria farmacêutica no mundo vai
lucrar! E pra fabricar tanta gente doente, é ncessário muito alimento
lixo, como a indústria alimentícia tem produzido hoje no mundo, ou
seja, um produz pra dar lucro ao outro e vice-versa, é uma corrente.
Esta é uma equação bem fácil de entender, não é?)
Quantos de nós temos escutado a notícia de alguém que tem câncer e
sempre alguém diz: "É.... poderia acontecer com qualquer um..." Com
qualquer um????
Agora que você já sabe, o que você vai fazer a respeito?
A ignorância justifica, o saber condena.
"Que teu alimento seja teu remédio, que teu remédio seja teu
alimento." Hipócrates
Fontes - http://forum.antinovaordemmundial.com/Topico-causa-prim%C3%A1ria-e-preven%C3%A7%C3%A3o-do-c%C3%A2ncer-por-otto-h-warburg-ganhador-do-pr%C3%AAmio-nobel
http://ydecazio.blogspot.com/2011/11/causa-primaria-e-prevencao-do-cancer.html
http://www.bibliotecapleyades.net/salud/salud_defeatcancer67.htm
Cada dia que passa aprende-se alguma coisa. Entende-se que essa aprendizagem não deve ser guardada só para si. Deve ser compartilhada. Assim, estaremos contribuindo por uma vida mais saudável para todos que nos rodeiam.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
MACONHA
MACONHA FAZ MAL SIM
Veja - 29/10/2012
O atual liberalismo em torno do consumo da droga está em descompasso com as pesquisas médicas mais recentes. As sequelas cerebrais são duradouras, sobretudo quando o uso se dá na adolescência.
"Hoje ainda, até o fim do dia, 1 milhão de brasileiros terão fumado maconha. A maioria dessas pessoas está plenamente convencida de a droga não faz mal. Elas conseguem trabalhar, estudar, namorar, dirigir, ler um livro, cuidar dos filhos... A folha seca e as flores de Cannabis são consumidas agora com uma naturalidade tal que nem parece ser um comportamento definido como crime pela lei penal brasileira. O aroma penetrante inconfundível permeia o ar nas baladas, nas áreas de lazer dos condomínios fechados, nos carros, nas imediações das escolas. A maconha que em outros tempos já foi chamada de "erva maldita", agora ganhou uma aura inocente de produto orgânico e muitos de seus usuários acendem os "baseados" como se isso fosse parte de um ritual de comunhão com a natureza, uma militância-. espiritual de sintonia com o cosmo. Ha uma gigantesca onda de tolerância com esse vício. Nos Estados Unidos, dezessete estados já regulamentaram seu uso medicinal. Em novembro, os estados de Washington E Colorado farão um plebiscito sobre a legalização. No Uruguai, o presidente José Mujica pretende estatizar a produção e a distribuirão da droga. Em maio deste ano, no Brasil, sob o argumento do direito à liberdade de expressão, o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou a marcha da maconha - desde, é caro que ela não fosse consumida pelos manifestantes, em um de seus shows, em janeiro, Rita Lee causou tumulto ao interromper a apresentação em Sergipe para interpelar os policiais que tentavam reprimir o fumacê na platéia: ""Este show é meu. Não é de vocês. Por que isso? Não pode ser por causa de um baseadinho. Cadê um baseadinho pra eu fumar aqui?"".
Na contramão da liberalidade oficial, legal e até social com o uso da maconha, a ciência médica vem produzindo provas cada dia mais eloquentes de que a fumaça da maconha faz muito mal para a saúde do usuário crônico - quem fuma no mínimo um cigarro por semana durante um ano. Fumar na adolescência, então, é um hábito que pode ter consequências funestas para o resto da vida da pessoa. Aqueles cartazes das marchas que afirmam que "maconha faz menos mal do que álcool e cigarro" são fruto de percepções disseminadas por usuários, e não o resultado de pesquisas científicas incontrastáveis. Maconha não faz menos mal do que álcool ou cigarro. Cada um desses vícios agride o organismo a sua maneira, mas, ao contrário do que ocorre com a maconha, ninguém sai em passeata defendendo o alcoolismo ou o tabagismo. Diz um dos mais respeitados estudiosos do assunto, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo: "Encarar o uso da maconha com leniência é uma tese equivocada, arcaica e perigosa".
Alguns dos argumentos para a legalização da maconha têm uma lógica perfeita apenas na aparência. Os defensores da legalização alegam que. vendida legalmente, a maconha também seria cultivada dentro da lei e industrializada. A oferta aumentaria e os preços cairiam. Isso tornaria inúteis os traficantes. Eles sumiriam do mapa, levando consigo todo o imenso colar de roubos, assassinatos e corrupção policial que a repressão à maconha provoca. O argumento não resiste ao mais simples teste de realidade embutido na pergunta: "Quem disse que traficante vende só maconha?". Se a maconha fosse liberada, o tráfico de cocaína, heroína e crack continuaria e todos os problemas sociais decorrentes do poder desse submundo ficariam intactos. Acrescente-se à equação o fato de que a maconha efetivamente faz mal à saúde, e a lógica dos defensores de sua legalização evapora-se no ar ainda mais rapidamente.
Um dos estudos mais impactantes e recentes sobre os males da maconha foi conduzido por treze reputadas instituições de pesquisa, entre elas as universidade Duke, nos Estados Unidos, e de Otago, na Nova Zelândia. Os pesquisadores acompanharam 1000 voluntários durante 25 anos. Eles começaram a ser estudados aos 13 anos de idade. Um grupo era composto de fumantes regulares de maconha. Os integrantes do outro grupo não fumavam. Quando os grupos foram comparados, ficou evidente o dano à saúde dos adolescentes usuários de maconha que mantiveram o hábito até a idade adulta. Os fumantes tiveram uma queda significativa no desempenho intelectual. Na média, os consumidores crônicos de maconha ficavam 8 pontos abaixo dos não fumantes nos testes de Q.I. Os usuários de maconha saíram-se mal também nos testes de memória, concentração e raciocínio rápido. Os resultados mostram que é falaciosa a tese de que fumar maconha com frequência não compromete a cognição. Diz o psiquiatra Laranjeira: "Se o usuário crônico acha que está bem, a ciência mostra que ele poderia estar muito melhor sem a droga. A maconha priva a pessoa de atingir todo o potencial de sua capacidade"."
O cineasta paulistano Álvaro Zunckeller, de 32 anos, fumou maconha durante duas décadas, desde a adolescência, com os amigos, na roda do bar e na saída da escola. No início, era um cigarro a cada duas semanas. Chegou a três por dia. "Era um viciado, mas para a maioria das pessoas eu era um sujeito sossegado, apenas um pouco desatento", conta ele. Zunckeller é um caso típico da brasa dormida dos danos da maconha ao cérebro confundidos com um comportamento ameno e um estilo de vida mais contemplativo. Apenas 10% dos pacientes internados em clínicas de recuperação de dependentes foram parar ali para tentar se livrar do vício da maconha. Ainda assim, muitos dos usuários da droga nessas clínicas foram diagnosticados com esquizofrenia, bipolaridade, depressão aguda ou ansiedade — sendo o vício de maconha apenas um componente do quadro psicótico e não seu determinante.
Até pouco tempo atrás vigorou a tese de que a maconha só deflagra transtornos mentais em pessoas com histórico familiar dessas doenças. Essa noção benigna da maconha foi sepultada, entre outros trabalhos, por uma pesquisa feita pelo Instituto de Saúde Pública da Suécia. Um grupo de 50000 voluntários foi avaliado durante 35 anos. Eles consumiram maconha na adolescência. Os suecos demonstraram que o risco de usuário de maconha sem antecedentes genéticos vir a desenvolver esquizofrenia ou depressão é muito mais alto do que o da população em geral. Entre os usuários de maconha pesquisados, surgiram 3,5 mais casos de esquizofrenia do que na média da população. No que se refere à depressão, o número de casos clínicos foi o dobro. Os sinais de perigo da fumaça estão surgindo em toda parte. "O bombardeio repetido da maconha sobre o cérebro cria uma marca neuronal indelével", diz Ana Cristina Fraia, psicóloga da Clínica Maia Prime, em São Paulo, especializada no tratamento de dependência química.
A razão básica pela qual a maconha agride com agudeza o cérebro tem raízes na evolução da espécie humana. Nem ó álcool, nem a nicotina do tabaco; nem a cocaína, a heroína ou o crack; nenhuma outra droga encontra tantos receptores prontos para interagir com ela no cérebro como a cannabis. Ela imita a ação de compostos naturalmente fabricados pelo organismo, os endocanabinoides. Essas substâncias são imprescindíveis na comunicação entre os neurônios, as sinapses. A maconha interfere caoticamente nas sinapses, levando ao comprometimento das funções cerebrais. O mais assustador, dada a fama de inofensiva da maconha, é o fato de que, interrompido seu uso, o dano às sinapses permanece muito mais tempo — em muitos casos para sempre, sobretudo quando o consumo crônico começa na adolescência. Em contraste, os efeitos diretos do álcool e da cocaína sobre o cérebro se dissipam poucos dias depois de interrompido o consumo.
Com 224 milhões de usuários em todo o mundo, a maconha é a droga ilícita universalmente mais popular. E seu uso vem crescendo — em 2007, a turma do cigarro de seda tinha metade desse tamanho. Cerca de 60% são adolescentes. Quanto mais precoce for o consumo, maior é o risco de comprometimento cerebral. Dos 12 aos 23 anos, o cérebro está em pleno desenvolvimento. Em um processo conhecido como poda neural, o organismo faz uma triagem das conexões que devem ser eliminadas e das que devem ser mantidas para o resto da vida. A ação da maconha nessa fase de reformulação cerebral é caótica. Sinapses que deveriam se fortalecer tornando-se débeis. As que deveriam desaparecer, ganham força.
Os efeitos psicoativos da maconha são conhecidos desde o ano 2000 antes de Cristo. Seu princípio psicoativo mais atuante é o tetraidrocanabinol (THC). Um outro componente da droga, o canabidiol, é o principal responsável pelos seus efeitos potencialmente terapêuticos. No campus de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, o psiquiatra José Alexandre Crippa estuda o efeito do canabidiol no tratamento da fobia social. Trinta e seis voluntários, metade deles composta de fóbicos, ingeriram cápsulas da substância e, em seguida, tiveram de falar em público. Os níveis de ansiedade apresentados pelos portadores do transtorno equivaleram aos registrados pelos participantes sem a fobia. Todos os estudos sérios sobre os potenciais usos médicos da maconha mediram os efeitos de uma única substância, selecionada e isolada em laboratório — e não da inalação da fumaça de um cigarro. Diz Crippa: "Os defensores do uso medicinal do cigarro da maconha querem mesmo é obter a liberação da droga". Nos Estados Unidos floresce uma indústria de falsificação de receitas depois da legalização da erva para o tratamento do glaucoma e no controle da náusea de pacientes submetidos a quimioterapia. Para a alegria dos viciados, médicos inescrupulosos prescrevem a droga por preços que variam de 100 a 500 dólares.
Em nenhum país a maconha é completamente liberada. Um dos mais notoriamente tolerantes é a Holanda, que permite o consumo da erva nos coffee shops, mas, ainda assim, os proprietários só estão autorizados a vender 5 gramas, o equivalente a um cigarro, para cada cliente. Recentemente, o governo holandês proibiu a venda da droga para estrangeiros. Nem sempre foi assim. Na década de 70, quando a Holanda descriminalizou a maconha e se tornou uma espécie de Disney libertária, fumava-se em praça pública. A festa acabou cedo. Desde então, o tráfico só aumentou. A experiência holandesa — e o recuo das autoridades — derruba um dos mais rígidos pilares da defesa pela liberação: o de que a venda autorizada poria fim ao tráfico. Não pôs.
No Brasil, desde 2006, com a lei antidrogas sancionada pelo então presidente Lula, foi estabelecida uma distinção na punição de traficantes e usuários. Os bandidos estão sujeitos a até quinze anos de prisão. O consumidor não vai para a cadeia. Nesse caso, o juiz decide por uma advertência verbal, pela prestação de serviços comunitários ou recomenda um tratamento médico. A lei brasileira não contempla o volume máximo da droga a ser classificado como uso pessoal. Luana Piovani e Isabel Filardis são algumas das celebridades que defendem a tese de que a maioria dos presos com maconha "nunca cometeu outros delitos, não tem relação com o crime organizado e portava pequenas quantidades da droga no ato da detenção". Do ponto de vista social, elas estão corretíssimas. Do ponto de vista da saúde e da aplicação das leis, nem tanto. O advogado criminalista Pedro Lazarini faz restrições: "Um bandido pode se valer desses limites para nunca ser condenado". O ideal seria que as evidências científicas incontestáveis sobre os ruinosos efeitos da maconha para a saúde sejam levadas em conta. Todos ganham com isso.
"Atualmente, "pega mal" ser contra a liberação da maconha"
Aos 66 anos, o paulistano Valentim Gentil Filho é um dos mais renomados psiquiatras do país. Com doutorado em psicofarmacologia clínica pela Universidade de Londres, ocupou o cargo de presidente do conselho diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas durante doze anos — sem nunca ter abandonado a prática clínica. Tamanha experiência o levou a defender a condenação da maconha. "Trata-se da única droga a interferir nas funções cerebrais de forma a causar psicoses irreversíveis", disse a VEJA. "Se fosse para escolher uma única droga a ser banida, seria a maconha."
Nos últimos dois anos, a ideia da descriminalização para o usuário da maconha ganhou força no país. Recentemente, um grupo de juristas apresentou a proposta no Senado com o objetivo de a medida ser adotada na reforma do Código Penal. O que o senhor acha disso?
O tráfico deve adorar isso. Em hipótese alguma dá para liberar geral. Estamos fadando de substâncias altamente tóxicas. Um dos argumentos pró-maconha é que a legalização reduziria o consumo da droga. As pesquisas mostram, no entanto, que, quando o consumo é referendado e a droga é considerada segura, o adolescente experimenta mais. A história de que os jovens se sentem estimulados a usar drogas por serem proibidas se aplica apenas a uma minoria,
Há muitos médicos, inclusive da sua especialidade, que não pensam como o senhor.
Não é simpático expressar uma opinião contrária à cultura da "anticaretice" que impera no país em relação à maconha. Atualmente, "pega mal" ser contra a liberação da maconha. Até mesmo entre oi médicos. O fato de a maconha não ser tão agressiva como primeiras vezes contribui para isso. Mas ou esses médicos estão muito desinformados ou eles têm acesso a fontes científicas bem diferentes das minhas. Se fosse obrigado a escolher uma única droga a ser banida, seria a maconha, sem sombra de dúvida.
De que forma a maconha seria mais prejudicial do que as outras drogas?
Drogas como heroína, cocaína e crack são devastadoras porque podem matar a curto ou curtíssimo prazo. Além disso, é difícil se livrar dessas substâncias pelo alto grau de dependência que apresentam. Os danos que elas causam ao cérebro, porém, cessam quando deixam de ser usadas. Ou seja, passado o período de abstinência, as funções do organismo se restabelecem. Com a maconha a história é outra. É a única droga a interferir nas funções cerebrais de forma a causar psicoses definitivas, mesmo quando seu uso é interrompido.
Qualquer usuário está suscetível a tais danos?
Sim, mas em graus diferentes, a depender da frequência de consumo e da tolerância do organismo do usuário. É uma roleta-russa. O consumidor esporádico, aquele que fuma às vezes, está sujeito a sofrer estados psicóticos transitórios, como alucinação e paranoia, ataques de pânico e ansiedade. O efeito permanente nas conexões nervosas se dá no uso crônico. Aí, sim, absolutamente todos sofrem algum prejuízo.
O astrônomo americano Carl Sagan (1934-1996) foi usuário da maconha e um defensor ferrenho da droga. Ainda assim, deixou o legado de uma carreira brilhante. Ele teria sido uma exceção?
Sagan foi um gênio, e sou fã dele. Mas penso que, se não tivesse usado tanta maconha, ele teria sido um profissional ainda mais brilhante e mais responsável. Sagan tinha algumas idéias estapafúrdias para um astrônomo. Por exemplo: ele se tomou um dos líderes do Seti (Search for Extra-Terrestrial Intelligence — Busca por Inteligência Extraterrestre), que investiu centenas de milhões de dólares na busca de sinais alienígenas ou provas de alguma civilização extraterreste. Repito aqui: Não há exceções para os danos causados pela maconha.
É possível identificar os adolescentes mais propensos a usar a droga?
Há entre eles um traço de personalidade conhecido como "busca de novidade" (novelty seeking) ou "busca de sensações" (sensation seeking). Pessoas com esse perfil se expõem mais a riscos, têm menor controle sobre suas emoções, são mais impulsivas e têm maior probabilidade de se tomarem dependentes da maconha. No extremo oposto, alguns jovens introvertidos e ansiosos também ficam vulneráveis, dependendo do ambiente. Famílias estruturadas ajudam, e a presença dos pais monitorando o comportamento é uma proteção importante, mas não é garantia contra o uso.
Qual é a sua opinião sobre o uso medicinal da maconha?
Acredito em benefícios de determinadas substâncias extraídas da planta que dá origem à maconha, a Cannabis. Isso é diferente de preconizar o uso terapêutico da maconha fumada, que tem muitos compostos nocivos ao organismo, além da fumaça quente retida no pulmão, com potencial cancerígeno. Não acredito nem mesmo nas versões "purificadas" da planta, vendidas em alguns estados americanos e em coffee shops europeus. Não há tecnologia capaz de certificar que um baseado tenha apenas substâncias não tóxicas da planta. Aliás, a venda nesses lugares é uma bagunça. O filho de um amigo conseguiu comprar maconha medicinal na Califórnia porque no mesmo lugar onde comprou a droga comprou também a receita médica. Uma coisa tem de ficar clara: a agência de saúde oficial americana (FDA) não valida o consumo da maconha ou de outros preparados da Cannabis para fins medicinais. Alguns estados liberam por meio de seus governos.
0 senhor já fumou maconha?
Nunca. E jamais tive vontade.
Seus filhos já fumaram?
Não que eu saiba.
Veja - 29/10/2012
O atual liberalismo em torno do consumo da droga está em descompasso com as pesquisas médicas mais recentes. As sequelas cerebrais são duradouras, sobretudo quando o uso se dá na adolescência.
"Hoje ainda, até o fim do dia, 1 milhão de brasileiros terão fumado maconha. A maioria dessas pessoas está plenamente convencida de a droga não faz mal. Elas conseguem trabalhar, estudar, namorar, dirigir, ler um livro, cuidar dos filhos... A folha seca e as flores de Cannabis são consumidas agora com uma naturalidade tal que nem parece ser um comportamento definido como crime pela lei penal brasileira. O aroma penetrante inconfundível permeia o ar nas baladas, nas áreas de lazer dos condomínios fechados, nos carros, nas imediações das escolas. A maconha que em outros tempos já foi chamada de "erva maldita", agora ganhou uma aura inocente de produto orgânico e muitos de seus usuários acendem os "baseados" como se isso fosse parte de um ritual de comunhão com a natureza, uma militância-. espiritual de sintonia com o cosmo. Ha uma gigantesca onda de tolerância com esse vício. Nos Estados Unidos, dezessete estados já regulamentaram seu uso medicinal. Em novembro, os estados de Washington E Colorado farão um plebiscito sobre a legalização. No Uruguai, o presidente José Mujica pretende estatizar a produção e a distribuirão da droga. Em maio deste ano, no Brasil, sob o argumento do direito à liberdade de expressão, o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou a marcha da maconha - desde, é caro que ela não fosse consumida pelos manifestantes, em um de seus shows, em janeiro, Rita Lee causou tumulto ao interromper a apresentação em Sergipe para interpelar os policiais que tentavam reprimir o fumacê na platéia: ""Este show é meu. Não é de vocês. Por que isso? Não pode ser por causa de um baseadinho. Cadê um baseadinho pra eu fumar aqui?"".
Na contramão da liberalidade oficial, legal e até social com o uso da maconha, a ciência médica vem produzindo provas cada dia mais eloquentes de que a fumaça da maconha faz muito mal para a saúde do usuário crônico - quem fuma no mínimo um cigarro por semana durante um ano. Fumar na adolescência, então, é um hábito que pode ter consequências funestas para o resto da vida da pessoa. Aqueles cartazes das marchas que afirmam que "maconha faz menos mal do que álcool e cigarro" são fruto de percepções disseminadas por usuários, e não o resultado de pesquisas científicas incontrastáveis. Maconha não faz menos mal do que álcool ou cigarro. Cada um desses vícios agride o organismo a sua maneira, mas, ao contrário do que ocorre com a maconha, ninguém sai em passeata defendendo o alcoolismo ou o tabagismo. Diz um dos mais respeitados estudiosos do assunto, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo: "Encarar o uso da maconha com leniência é uma tese equivocada, arcaica e perigosa".
Alguns dos argumentos para a legalização da maconha têm uma lógica perfeita apenas na aparência. Os defensores da legalização alegam que. vendida legalmente, a maconha também seria cultivada dentro da lei e industrializada. A oferta aumentaria e os preços cairiam. Isso tornaria inúteis os traficantes. Eles sumiriam do mapa, levando consigo todo o imenso colar de roubos, assassinatos e corrupção policial que a repressão à maconha provoca. O argumento não resiste ao mais simples teste de realidade embutido na pergunta: "Quem disse que traficante vende só maconha?". Se a maconha fosse liberada, o tráfico de cocaína, heroína e crack continuaria e todos os problemas sociais decorrentes do poder desse submundo ficariam intactos. Acrescente-se à equação o fato de que a maconha efetivamente faz mal à saúde, e a lógica dos defensores de sua legalização evapora-se no ar ainda mais rapidamente.
Um dos estudos mais impactantes e recentes sobre os males da maconha foi conduzido por treze reputadas instituições de pesquisa, entre elas as universidade Duke, nos Estados Unidos, e de Otago, na Nova Zelândia. Os pesquisadores acompanharam 1000 voluntários durante 25 anos. Eles começaram a ser estudados aos 13 anos de idade. Um grupo era composto de fumantes regulares de maconha. Os integrantes do outro grupo não fumavam. Quando os grupos foram comparados, ficou evidente o dano à saúde dos adolescentes usuários de maconha que mantiveram o hábito até a idade adulta. Os fumantes tiveram uma queda significativa no desempenho intelectual. Na média, os consumidores crônicos de maconha ficavam 8 pontos abaixo dos não fumantes nos testes de Q.I. Os usuários de maconha saíram-se mal também nos testes de memória, concentração e raciocínio rápido. Os resultados mostram que é falaciosa a tese de que fumar maconha com frequência não compromete a cognição. Diz o psiquiatra Laranjeira: "Se o usuário crônico acha que está bem, a ciência mostra que ele poderia estar muito melhor sem a droga. A maconha priva a pessoa de atingir todo o potencial de sua capacidade"."
O cineasta paulistano Álvaro Zunckeller, de 32 anos, fumou maconha durante duas décadas, desde a adolescência, com os amigos, na roda do bar e na saída da escola. No início, era um cigarro a cada duas semanas. Chegou a três por dia. "Era um viciado, mas para a maioria das pessoas eu era um sujeito sossegado, apenas um pouco desatento", conta ele. Zunckeller é um caso típico da brasa dormida dos danos da maconha ao cérebro confundidos com um comportamento ameno e um estilo de vida mais contemplativo. Apenas 10% dos pacientes internados em clínicas de recuperação de dependentes foram parar ali para tentar se livrar do vício da maconha. Ainda assim, muitos dos usuários da droga nessas clínicas foram diagnosticados com esquizofrenia, bipolaridade, depressão aguda ou ansiedade — sendo o vício de maconha apenas um componente do quadro psicótico e não seu determinante.
Até pouco tempo atrás vigorou a tese de que a maconha só deflagra transtornos mentais em pessoas com histórico familiar dessas doenças. Essa noção benigna da maconha foi sepultada, entre outros trabalhos, por uma pesquisa feita pelo Instituto de Saúde Pública da Suécia. Um grupo de 50000 voluntários foi avaliado durante 35 anos. Eles consumiram maconha na adolescência. Os suecos demonstraram que o risco de usuário de maconha sem antecedentes genéticos vir a desenvolver esquizofrenia ou depressão é muito mais alto do que o da população em geral. Entre os usuários de maconha pesquisados, surgiram 3,5 mais casos de esquizofrenia do que na média da população. No que se refere à depressão, o número de casos clínicos foi o dobro. Os sinais de perigo da fumaça estão surgindo em toda parte. "O bombardeio repetido da maconha sobre o cérebro cria uma marca neuronal indelével", diz Ana Cristina Fraia, psicóloga da Clínica Maia Prime, em São Paulo, especializada no tratamento de dependência química.
A razão básica pela qual a maconha agride com agudeza o cérebro tem raízes na evolução da espécie humana. Nem ó álcool, nem a nicotina do tabaco; nem a cocaína, a heroína ou o crack; nenhuma outra droga encontra tantos receptores prontos para interagir com ela no cérebro como a cannabis. Ela imita a ação de compostos naturalmente fabricados pelo organismo, os endocanabinoides. Essas substâncias são imprescindíveis na comunicação entre os neurônios, as sinapses. A maconha interfere caoticamente nas sinapses, levando ao comprometimento das funções cerebrais. O mais assustador, dada a fama de inofensiva da maconha, é o fato de que, interrompido seu uso, o dano às sinapses permanece muito mais tempo — em muitos casos para sempre, sobretudo quando o consumo crônico começa na adolescência. Em contraste, os efeitos diretos do álcool e da cocaína sobre o cérebro se dissipam poucos dias depois de interrompido o consumo.
Com 224 milhões de usuários em todo o mundo, a maconha é a droga ilícita universalmente mais popular. E seu uso vem crescendo — em 2007, a turma do cigarro de seda tinha metade desse tamanho. Cerca de 60% são adolescentes. Quanto mais precoce for o consumo, maior é o risco de comprometimento cerebral. Dos 12 aos 23 anos, o cérebro está em pleno desenvolvimento. Em um processo conhecido como poda neural, o organismo faz uma triagem das conexões que devem ser eliminadas e das que devem ser mantidas para o resto da vida. A ação da maconha nessa fase de reformulação cerebral é caótica. Sinapses que deveriam se fortalecer tornando-se débeis. As que deveriam desaparecer, ganham força.
Os efeitos psicoativos da maconha são conhecidos desde o ano 2000 antes de Cristo. Seu princípio psicoativo mais atuante é o tetraidrocanabinol (THC). Um outro componente da droga, o canabidiol, é o principal responsável pelos seus efeitos potencialmente terapêuticos. No campus de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, o psiquiatra José Alexandre Crippa estuda o efeito do canabidiol no tratamento da fobia social. Trinta e seis voluntários, metade deles composta de fóbicos, ingeriram cápsulas da substância e, em seguida, tiveram de falar em público. Os níveis de ansiedade apresentados pelos portadores do transtorno equivaleram aos registrados pelos participantes sem a fobia. Todos os estudos sérios sobre os potenciais usos médicos da maconha mediram os efeitos de uma única substância, selecionada e isolada em laboratório — e não da inalação da fumaça de um cigarro. Diz Crippa: "Os defensores do uso medicinal do cigarro da maconha querem mesmo é obter a liberação da droga". Nos Estados Unidos floresce uma indústria de falsificação de receitas depois da legalização da erva para o tratamento do glaucoma e no controle da náusea de pacientes submetidos a quimioterapia. Para a alegria dos viciados, médicos inescrupulosos prescrevem a droga por preços que variam de 100 a 500 dólares.
Em nenhum país a maconha é completamente liberada. Um dos mais notoriamente tolerantes é a Holanda, que permite o consumo da erva nos coffee shops, mas, ainda assim, os proprietários só estão autorizados a vender 5 gramas, o equivalente a um cigarro, para cada cliente. Recentemente, o governo holandês proibiu a venda da droga para estrangeiros. Nem sempre foi assim. Na década de 70, quando a Holanda descriminalizou a maconha e se tornou uma espécie de Disney libertária, fumava-se em praça pública. A festa acabou cedo. Desde então, o tráfico só aumentou. A experiência holandesa — e o recuo das autoridades — derruba um dos mais rígidos pilares da defesa pela liberação: o de que a venda autorizada poria fim ao tráfico. Não pôs.
No Brasil, desde 2006, com a lei antidrogas sancionada pelo então presidente Lula, foi estabelecida uma distinção na punição de traficantes e usuários. Os bandidos estão sujeitos a até quinze anos de prisão. O consumidor não vai para a cadeia. Nesse caso, o juiz decide por uma advertência verbal, pela prestação de serviços comunitários ou recomenda um tratamento médico. A lei brasileira não contempla o volume máximo da droga a ser classificado como uso pessoal. Luana Piovani e Isabel Filardis são algumas das celebridades que defendem a tese de que a maioria dos presos com maconha "nunca cometeu outros delitos, não tem relação com o crime organizado e portava pequenas quantidades da droga no ato da detenção". Do ponto de vista social, elas estão corretíssimas. Do ponto de vista da saúde e da aplicação das leis, nem tanto. O advogado criminalista Pedro Lazarini faz restrições: "Um bandido pode se valer desses limites para nunca ser condenado". O ideal seria que as evidências científicas incontestáveis sobre os ruinosos efeitos da maconha para a saúde sejam levadas em conta. Todos ganham com isso.
"Atualmente, "pega mal" ser contra a liberação da maconha"
Aos 66 anos, o paulistano Valentim Gentil Filho é um dos mais renomados psiquiatras do país. Com doutorado em psicofarmacologia clínica pela Universidade de Londres, ocupou o cargo de presidente do conselho diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas durante doze anos — sem nunca ter abandonado a prática clínica. Tamanha experiência o levou a defender a condenação da maconha. "Trata-se da única droga a interferir nas funções cerebrais de forma a causar psicoses irreversíveis", disse a VEJA. "Se fosse para escolher uma única droga a ser banida, seria a maconha."
Nos últimos dois anos, a ideia da descriminalização para o usuário da maconha ganhou força no país. Recentemente, um grupo de juristas apresentou a proposta no Senado com o objetivo de a medida ser adotada na reforma do Código Penal. O que o senhor acha disso?
O tráfico deve adorar isso. Em hipótese alguma dá para liberar geral. Estamos fadando de substâncias altamente tóxicas. Um dos argumentos pró-maconha é que a legalização reduziria o consumo da droga. As pesquisas mostram, no entanto, que, quando o consumo é referendado e a droga é considerada segura, o adolescente experimenta mais. A história de que os jovens se sentem estimulados a usar drogas por serem proibidas se aplica apenas a uma minoria,
Há muitos médicos, inclusive da sua especialidade, que não pensam como o senhor.
Não é simpático expressar uma opinião contrária à cultura da "anticaretice" que impera no país em relação à maconha. Atualmente, "pega mal" ser contra a liberação da maconha. Até mesmo entre oi médicos. O fato de a maconha não ser tão agressiva como primeiras vezes contribui para isso. Mas ou esses médicos estão muito desinformados ou eles têm acesso a fontes científicas bem diferentes das minhas. Se fosse obrigado a escolher uma única droga a ser banida, seria a maconha, sem sombra de dúvida.
De que forma a maconha seria mais prejudicial do que as outras drogas?
Drogas como heroína, cocaína e crack são devastadoras porque podem matar a curto ou curtíssimo prazo. Além disso, é difícil se livrar dessas substâncias pelo alto grau de dependência que apresentam. Os danos que elas causam ao cérebro, porém, cessam quando deixam de ser usadas. Ou seja, passado o período de abstinência, as funções do organismo se restabelecem. Com a maconha a história é outra. É a única droga a interferir nas funções cerebrais de forma a causar psicoses definitivas, mesmo quando seu uso é interrompido.
Qualquer usuário está suscetível a tais danos?
Sim, mas em graus diferentes, a depender da frequência de consumo e da tolerância do organismo do usuário. É uma roleta-russa. O consumidor esporádico, aquele que fuma às vezes, está sujeito a sofrer estados psicóticos transitórios, como alucinação e paranoia, ataques de pânico e ansiedade. O efeito permanente nas conexões nervosas se dá no uso crônico. Aí, sim, absolutamente todos sofrem algum prejuízo.
O astrônomo americano Carl Sagan (1934-1996) foi usuário da maconha e um defensor ferrenho da droga. Ainda assim, deixou o legado de uma carreira brilhante. Ele teria sido uma exceção?
Sagan foi um gênio, e sou fã dele. Mas penso que, se não tivesse usado tanta maconha, ele teria sido um profissional ainda mais brilhante e mais responsável. Sagan tinha algumas idéias estapafúrdias para um astrônomo. Por exemplo: ele se tomou um dos líderes do Seti (Search for Extra-Terrestrial Intelligence — Busca por Inteligência Extraterrestre), que investiu centenas de milhões de dólares na busca de sinais alienígenas ou provas de alguma civilização extraterreste. Repito aqui: Não há exceções para os danos causados pela maconha.
É possível identificar os adolescentes mais propensos a usar a droga?
Há entre eles um traço de personalidade conhecido como "busca de novidade" (novelty seeking) ou "busca de sensações" (sensation seeking). Pessoas com esse perfil se expõem mais a riscos, têm menor controle sobre suas emoções, são mais impulsivas e têm maior probabilidade de se tomarem dependentes da maconha. No extremo oposto, alguns jovens introvertidos e ansiosos também ficam vulneráveis, dependendo do ambiente. Famílias estruturadas ajudam, e a presença dos pais monitorando o comportamento é uma proteção importante, mas não é garantia contra o uso.
Qual é a sua opinião sobre o uso medicinal da maconha?
Acredito em benefícios de determinadas substâncias extraídas da planta que dá origem à maconha, a Cannabis. Isso é diferente de preconizar o uso terapêutico da maconha fumada, que tem muitos compostos nocivos ao organismo, além da fumaça quente retida no pulmão, com potencial cancerígeno. Não acredito nem mesmo nas versões "purificadas" da planta, vendidas em alguns estados americanos e em coffee shops europeus. Não há tecnologia capaz de certificar que um baseado tenha apenas substâncias não tóxicas da planta. Aliás, a venda nesses lugares é uma bagunça. O filho de um amigo conseguiu comprar maconha medicinal na Califórnia porque no mesmo lugar onde comprou a droga comprou também a receita médica. Uma coisa tem de ficar clara: a agência de saúde oficial americana (FDA) não valida o consumo da maconha ou de outros preparados da Cannabis para fins medicinais. Alguns estados liberam por meio de seus governos.
0 senhor já fumou maconha?
Nunca. E jamais tive vontade.
Seus filhos já fumaram?
Não que eu saiba.
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