quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Dieta rica e saudável

Pela importância do tema, publico contribuições de João José Espíndola e Almir Quites.

Encaminho aos amigos, para conhecimento, um e-mail que recebi do Espíndola comentando um artigo da Folha de SP. Em se tratando de alimentação, temos que saber tudo o que for possível. 
O primeiro artigo é a favor do vegetarianismo e o segundo (em inglês) mostra problemas com a relação a deficiência de vitamina B12.
Fiz a tradução da parte que está em inglês para facilitar a leitura (está no final) e incluí duas NOTAS DO TRADUTOR (NdeT)
Almir

Prezadas & Prezados;

Nem sempre, quando divulgo um texto, o faço por concordar plenamente com ele. É o caso do presente artigo publicado na FSP.
Pelo contrário, ao lado de informações valiosas, este texto envereda pelo caminho do preconceito contra carnívoros convictos, como eu e o Humberto, que diz combater.
No caso da vitamina B12  o autor sai corridinho pela tangente, falando muito sem nada dizer, ao modo de um político padrão brasileiro.
Por isso faço questão de apresentar um texto sobre vitamina B12, extraído da Wikipédia é verdade, mas com informação insuspeita e capaz de evitar, no leitor menos crítico, a armadilha do vegetarianismo.
Humberto, já para a churrasqueira!
José J. de Espíndola.


Eric Slywitch: Dieta rica e saudável

(Eric Sluwitch, FSP de 13/12/2013)

A alimentação vegetariana --dieta na qual não há consumo de nenhum tipo de carne-- é adotada por quase 10% da população brasileira, segundo dados do Ibope.
A origem dessa dieta se perde no tempo. Foi adotada por diversas culturas orientais, regidas pelo princípio da não violência. Hoje, o número de pessoas que, além das carnes, também excluem os ovos e laticínios da dieta, tornando-se vegetarianas estritas ou veganas, é crescente.
Estudos populacionais que comparam grupos vegetarianos e não vegetarianos com estilo de vida similar mostram que os primeiros têm menor incidência de todas as doenças crônicas não transmissíveis (cardiovasculares, diabetes, diversos tipos de câncer e obesidade).
Retirar carnes da dieta é simples, pois em geral basta trocar 100 gramas de carne por uma concha de leguminosas (feijões, ervilha, lentilha, grão de bico, por exemplo).
Obter ferro na dieta vegana também é simples. Em 100 gramas de carne vermelha, há 2 miligramas do elemento. Absorvemos 18% dele, ou seja, 0,36 miligramas. Já em uma concha de feijão, temos cerca de 4 miligramas de ferro com uma absorção de 10%, resultando em 0,40 miligramas de ferro absorvido!
Ao retirarmos 100 gramas de carne de uma dieta comum (consumo diário máximo preconizado pelo Ministério da Saúde), a ingestão de proteínas (e todos os aminoácidos) ainda assim ultrapassa 10 gramas das recomendações para um homem de 70 quilos devido sobretudo aos cereais e feijões.
Sendo assim, se pensarmos apenas em proteínas, poderemos trocar carnes até por água. Os alimentos vegetais contêm todos os aminoácidos essenciais.
A retirada do leite da dieta pede apenas a inclusão de alimentos ricos em cálcio: couve, rúcula, agrião, mostarda, escarola, brócolis e tofu. Temos no mercado diversos leites vegetais com teor desse mineral idêntico ao do leite de vaca.
A vitamina B12 está ausente no reino vegetal. No entanto, mantê-la no nosso corpo depende mais do metabolismo do que da ingestão de alimentos-fontes. Cerca de 50% da população brasileira, mesmo comendo carne e laticínios, tem carência de B12. Não é o que se come que garante bons níveis da vitamina no organismo.
Os animais são seres sencientes, ou seja, são capazes de sofrer, sentir prazer e felicidade. Não faz sentido ter mais consideração moral por um cachorro do que por um porco ou galinha. Todos esses animais têm direitos fundamentais. Se amamos um, por que comer o outro?
Além disso, dados da ONU mostram que a pecuária é a principal atividade humana responsável pela contaminação de mananciais de água, desertificação de solos e destruição de florestas.
Por sua vez, a alimentação vegana já foi declarada saudável pelas maiores instituições de nutrição do mundo, e sobram razões nobres e sólidas para corroborá-la. Na verdade, são o "status quo", o preconceito e a incompreensão que tendem a ser os maiores obstáculos apresentados aos vegetarianos e veganos. Na construção de uma sociedade cada vez mais sustentável e inclusiva, é essencial que haja consideração e respeito a esse estilo de vida baseado em princípios éticos.
ERIC SLYWITCH, 38, médico nutrólogo, é diretor do departamento de medicina e nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira
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Texto da Wikipédia:
Vitamin B12vitamin B12 or vitamin B-12, also called cobalamin, is a water-soluble vitamin with a key role in the normal functioning of the brain and nervous system, and for the formation of blood. It is one of the eight B vitamins. It is normally involved in the metabolism of every cell of the human body, especially affecting DNA synthesis and regulation, but also fatty acid synthesis and energy production.Neither fungi, plants, nor animals are capable of producing vitamin B12. Only bacteria and archaea have the enzymes required for its synthesis, although many foods are a natural source of B12 because of bacterial symbiosis. The vitamin is the largest and most structurally complicated vitamin and can be produced industrially only through bacterial fermentation-synthesis.
Vitamin B12 consists of a class of chemically related compounds (vitamers), all of which have vitamin activity. It contains the biochemically rare element cobaltBiosynthesis of the basic structure of the vitamin is accomplished only by bacteria (which usually produce hydroxocobalamin), but conversion between different forms of the vitamin can be accomplished in the human body. A common semi-synthetic form of the vitamin, cyanocobalamin, does not occur in nature, but is produced from bacterial hydroxocobalamin and then used in many pharmaceuticals and supplements, and as a food additive, because of its stability and lower production cost. In the body it is converted to the human physiological forms methylcobalamin and adenosylcobalamin, leaving behind the cyanide, albeit in minimal concentration. More recently, hydroxocobalamin, methylcobalamin, and adenosylcobalamin can be found in more expensive pharmacological products and food supplements. The extra utility of these is currently debated.
Vitamin B12 was discovered from its relationship to the disease pernicious anemia, which is an autoimmune disease in which parietal cells of the stomach responsible for secreting intrinsic factor are destroyed. Intrinsic factor is crucial for the normal absorption of B12, so a lack of intrinsic factor, as seen in pernicious anemia, causes a vitamin B12 deficiency. Many other subtler kinds of vitamin B12 deficiency and their biochemical effects have since been elucidated.[1]

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TRADUÇÃO DO TEXTO DA WIKIPÉDIA: 
http://en.wikipedia.org/wiki/Vitamin_B12

A vitamina B12, também chamada de cobalamina, é uma vitamina solúvel em água com um papel fundamental no funcionamento normal do cérebro e do sistema nervoso e para a formação de sangue. É um das oito vitaminas B. É fundamental no metabolismo de todas as células do corpo humano, afetando especialmente a síntese e a regulação do DNA, mas também a síntese e a produção de energia de ácidos graxos. Fungos, plantas e animais não são capazes de produzir vitamina B12. Apenas as bactérias e as arquéias (nota do tradutor: "archaeas": organismos procariotas, geralmente quimiotróficos) possuem as enzimas necessárias para a sua síntese, embora muitos alimentos sejam fontes naturais de vitamina B12 por causa da simbiose bacteriana. A vitamina é a maior e mais complicada estruturalmente vitamina e pode ser produzida industrialmente somente através de fermentação bacteriana-síntese.

A vitamina B12 é constituída por uma classe de compostos quimicamente relacionados (vitamers) [NdoT: Um vitamer de uma vitamina particular é qualquer um composto químicos que tenha uma estrutura molecular semelhante], os quais possuem actividade de vitamina. Ela contém o elemento cobalto bioquimicamente raro. A biossíntese da estrutura básica da vitamina é realizada apenas por bactérias (que normalmente produzem hidroxocobalamina), mas a conversão entre as diferentes formas da vitamina pode ser realizada no corpo humano. A forma semisintética comum da vitamina, cianocobalamina, não ocorre na natureza, mas é produzida a partir de hidroxocobalamina bacteriana e, em seguida, utilizada em muitos produtos farmacêuticos e de suplementos, como um aditivo aos alimentos, devido à sua estabilidade e menor custo de produção. No corpo ela é convertida para metilcobalamina e adenosilcobalamina,formas fisiológicas humanas, deixando para trás o cianeto, embora em concentração mínima. Mais recentemente, a hidroxocobalamina, a metilcobalamina e a adenosilcobalamina foram encontradas em produtos farmacológicos mais caros e de suplementos alimentares. O utilidade adicional destas é atualmente debatida.

A vitamina B12 foi descoberta a partir da sua relação com a doença de anemia perniciosa, que é uma doença autoimune em que as células parietais do estômago, responsáveis pela secreção do factor intrínseco, são destruídos. O factor intrínseco é essencial para a absorção de vitamina B12 normal, de tal modo que a falta do factor intrínseco, como se observa em anemias perniciosas, provoca uma deficiência de vitamina B12. Muitos outros tipos mais sutis de deficiência de vitamina B12 e seus efeitos bioquímicos já foram elucidados[1].

[1] "Dietary Supplement Fact Sheet: Vitamin B12". Office of Dietary Supplements, National Institutes of Health. Retrieved 28 September 2011.
 

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